Dedicatória aos Judeus Marranos e Cristão Novos!

Cristão-novo

Era a expressão utilizada para categorizar os judeus recentemente convertidos ao cristianismo. O termo tinha diversos significados dependendo das nações em que era empregado. Na Espanha, por exemplo, o cristão-novo era chamado de marrano, que, em português, significa porco. Neste caso, configura-se uma das primeiras formas de antissemitismo declarado da História.  O contrário do cristão-novo era o cristão-velho, ou seja, cristão que não tinha antepassados de origem judaica. Também chamados de “conversos”, eles acabaram adotando o catolicismo como religião devido a diversos fatores. Entre eles, podem ser citados: medidas governamentais, pressão da sociedade, catequese motivada ou compulsória, influência pelo teatro religioso e medo de hostilidades ou expulsões. Durante os séculos XV e XVIII, um dos países em que os cristãos-novos sofriam grande repressão era a Espanha. Na nação ibérica, além de serem alcunhados como porcos, eram alvo da intolerância em relação aos judeus recentemente convertidos. Esta aversão aos judeus pode ser explicada pelos seguintes fatores: ascensão da burguesia e as conquistas ultramarinas motivadas pela religiosidade e crescimento econômico. Porém, mesmo sob pressão, uma parte dos judeus convertidos continuava a cultuar Iavé secretamente. Com marcante presença em todos os setores da sociedade europeia, os cristãos-novos eram conhecidos por seu talento  e inteligência. Em sua maioria, eram pessoas instruídas e com larga cultura. Por isso, conseguiram assumir posições importantes e estratégicas, ocupando cargos na área de administração das cidades, órgãos fiscais e tributários. Com isso, causavam inveja na população, pois tinham o respeito dos monarcas e pessoas importantes, até mesmo na Espanha. Toda a antipatia que geravam, aliada a fatores políticos e religiosos, influenciou no estabelecimento da Inquisição em 1478 em Castela. Este era um tribunal instituído pela Igreja católica que tinha o objetivo de investigar e punir os hereges. Nos países ibéricos, a Inquisição mirava os muçulmanos e os judeus. O resultado desta perseguição no país foi a morte de 9 mil pessoas em um período de 15 anos. Em sua maioria, eram queimadas vivas após terem sido delatadas por alcaguetes. Dentro deste contexto, observam-se movimentos históricos de perseguição entre os povos, em sua maioria, motivados pela religião. Os próprios cristãos, perseguidos por imperadores romanos desde o século I, tornaram-se algozes dos cristãos-novos e judeus na época da Inquisição. Em outro exemplo, os muçulmanos e judeus estão em eterno conflito por questões territoriais na Palestina, sendo que ambos foram igualmente perseguidos pela Inquisição. Alguns cristãos-novos, porém, permaneceram fieis à sua religião original (sendo assim denominados de marranos ou criptojudeus) e inventaram formas de esconder a sua convicção religiosa. As alheiras, um tipo de enchido de carne de galinha e outras aves, foram por exemplo criadas para imitar os tradicionais chouriços de carne de porco, proibida aos judeus. O falhanço da seriedade de muitas conversões levou a que D. João III mandasse instalar a Inquisição em Portugal em 1536, e ao estabelecimento de uma política de distinção em relação aos cristãos-novos.

Fonte: www.infoescola.com/religiao/cristao-novo/